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Serviço de Notícias da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
Atualizado: 36 segundos atrás

A IEAB no Encontro de Oficiais Ecumênicos da América Latina e do Caribe

sex, 21/09/2018 - 10:01

A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil enviou-me como membro da Comissão Nacional de Relações Ecumênicas para o Encontro de Oficiais Ecumênicos do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) da América Latina e Caribe (Argentina, Brasil, Chile,  Colômbia, Curaçao, El Salvador, Jamaica, Nicaragua, Peru, Trinidad e Tobago e Uruguai).

De 18 a 20 de outubro, em Buenos Aires/Argentina, estive representando nossa Igreja com outras 21 pessoas, clérigas e leigas evangélicas e evangélicos de Igrejas: Batistas, Luteranas, Metodistas, Presbiterianas, Discípulos de Cristo, Cristã Bíblica, Pentecostal, Valdence, Moraviana e Episcopal Anglicana. Do Brasil, éramos quatro pessoas, sendo eu a única episcopal anglicana presente, numa plenária que assegurou equidade de gênero na composição.

Foram dias de intensa agenda, com a partilha de experiências do que tem acontecido em nossas igrejas, com a exposição sobre o que é o CMI e de como funciona, com enfoque na Peregrinação por Justiça e Paz na América Latina e no Caribe; com uma síntese, em vídeo, do que foram as dez assembleias realizadas a cada sete anos, durante o período de 1948 a 2013 (a 8ª assembleia foi realizada em Porto Alegre/RS); e a estratégia de comunicação do CMI, que está sob a responsabilidade do luterano Dr. Marcelo Schneider (recomendo acessar o link: https://www.oikoumene.org/pt/news/ecumenical-officers-from-latin-america-and-the-caribbean-gather-in-argentina, para ver a notícia escrita por Schneider).

Pontos altos do Encontro:

-  Oportunizou uma visão panorâmica do que tem sido realizado pelas igrejas que colaboram para a peregrinação do CMI por justiça e paz, com destaque nas experiências da Igreja Presbiteriana de Colômbia, Fundación Hora de Obrar (Argentina), Igreja Presbiteriana de Trinidad e Tobago;

-  Apresentou um relato sobre o Programa de Acompanhamento Ecumênico do CMI na Palestina e Israel;

-  Reuniu pessoas comprometidas com: a promoção de ações de enfrentamento à violência contra meninas; contra o feminicídio; contra o racismo e a xenofobia; e com a luta pelo acesso à água, pelo direito à terra e o combate à fome;

-  Promoveu uma articulação regional de lideranças comprometidas com o ecumenismo a partir de suas bases.

Participar do Encontro foi uma oportunidade ímpar de aprendizado e de fortalecimento. Tornar-me uma oficial ecumênica é um privilégio e uma responsabilidade que assumo como responsabilidade evangélica de serviço/poder que transforma vidas.

Texto: Revda. Dra. Lilian Conceição da Silva

Sobre a Comissão por uma Igreja Segura da Comunhão Anglicana

qua, 19/09/2018 - 14:22

PARA FAZER O DOWNLOAD DA CARTA >>>>  Carta pela Segurança do Povo nas Igrejas da Comunhão Anglicana

Em resposta a abusos cometidos contra crianças e pessoas vulneráveis no contexto das igrejas da Comunhão Anglicana surgiram diversas iniciativas locais com o objetivo de acolher sobreviventes e prevenir que novos abusos ocorressem. A partir de 2005 estas iniciativas locais começaram a se organizar como rede até serem reconhecidas em 2012 pelo Conselho Consultivo Anglicano formando o que hoje é conhecido como a Rede por uma Igreja Segura e, naquele mesmo ano, foi aprovada a Carta pela Segurança do Povo nas Igrejas da Comunhão Anglicana. Com o objetivo consolidar e expressar os compromissos que a igreja vinha assumindo, em alinhamento com sua missão, ao longo das últimas décadas, a carta estabelece princípios a serem observados e defendidos por todas igrejas anglicanas.

Em 2016 o Conselho Consultivo decidiu estabelecer uma comissão com os objetivos de identificar políticas e procedimentos adotados nas províncias da Comunhão Anglicana; desenvolver orientações para fortalecer a segurança de todas as pessoas, especialmente crianças, jovens e adultos vulneráveis nas igrejas da para ser apreciado e pelo Conselho Consultivo; e desenvolver recursos para a implementação efetiva dessas orientações.

A Comissão por uma Igreja Segura foi estabelecida em 2017 e desde então já se reuniu presencialmente duas vezes e tem se reunido on-line periodicamente para rever diretrizes, teologia e liturgia para promover uma igreja segura. Em seu primeiro encontro em Londres, em outubro de 2017, a Comissão encontrou com vítimas de abuso e com uma representante da Comissão Pontifícia para a Proteção de Menores da Igreja Católica Romana, a baronesa Sheila Hollins, que além de ser uma das idealizadoras dessa comissão, é uma ativista reconhecida pela defesa de crianças e pessoas vulneráveis.

No encontro seguinte, na África do Sul, a Comissão reviu as diretrizes e recursos teológicos a luz do depoimento de mulheres que foram vítimas de tráfico humano e ativistas. A Comissão se reunirá novamente em Kuala Lumpur, na Malásia, em novembro de 2018 para finalizar a proposta que apresentará ao Conselho Consultivo em 2019.

A Comissão conta com membros de Fiji, Brasil, Zimbábue, Ruanda, África do Sul, Gana, Canada, Inglaterra, Estados Unidos, Gales, Coréia e Malásia. Além de participar da Comissão, como única representante da América Latina, a Província do Brasil tem a sua frente a missão de consolidar as práticas e valores que tem adotado na forma de políticas e procedimentos, bem como fortalecer a educação teológica e pastoral de seu clero e leigos para que de fato possamos ter uma igreja livre de abusos e de fato segura.

VEJA O VÍDEO NO YOUTUBE (em inglês, com legendas em português) SOBRE O TRABALHO DA COMISSÃO >>>> https://www.youtube.com/watch?v=o3XaJi5KzY8

Texto: Marcel Cesar, membro da Diocese Anglicana do Paraná – DAPAR

e da Comissão por uma Igreja Segura da Comunhão Anglicana

Acadêmicas/os envolvidas/os com o Segundo Testamento se reunirão para começar a desenvolver os fundamentos bíblicos da próxima Conferência de Lambeth

seg, 17/09/2018 - 15:43

Professora Jennifer Strawbridge coordenará reunião de biblistas vindos de várias partes do mundo para o seminário Santo Agostinho

Crédito da foto: Chichester Cathedral

Já está iniciado os trabalhos para estabelecer os fundamentos bíblicos para a próxima Conferência de Lambeth. Em novembro deste ano 35 acadêmicas/os do Novo Testamento de diferentes denominações vão se reunir no Palácio de Lambeth, através de uma iniciativa do Seminário St. Agostinho. Ao redor de 800 bispas e bispos da Comunhão Anglicana se reunirão na Universidade de Kent em Cantuária, Inglaterra, de 27 de julho a 4 de agosto de 2020. Como parte desse tempo juntas/os, as/os bispas/os estarão envolvidas/os em uma série de estudos bíblicos ao redor da Primeira Carta de Pedro (1Pedro) e o este evento começará a preparar os materiais para os estudos durante a conferência.

Cerca de 35 biblistas, ligados aos estudos do Novo Testamento, virão para o encontro. Elas/es vêm da Austrália, Botswana, Brasil (Paulo Ueti da Aliança Anglicana Global e também da Diocese Anglicana de Brasília – nota do tradutor), Canadá, China, Colômbia, Egito, Índia, Irlanda, Quênia, Nigéria, Filipinas, Singapura, África do Sul, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos da América. As pessoas que virão são de diferentes igrejas da Comunhão Anglicana e também de outras denominações, incluindo Metodistas, Presbiterianos, Igrejas Unidas da Austrália, Igreja Católica Romana, Igreja Pentecostal e Igrejas Ortodoxas da Armênia.

O Seminário será coordenado pela Professora Jennifer Strawbridge, Professora Associada dos Estudos de Novo Testamento do Mansfield College na Universidade de Oxford. O grupo vai trabalhar o texto de 1Pedro e colaborar para, de forma crítica, desenhar os Estudos Bíblicos e outros aspectos da Conferência de Lambeth. Depois desse primeiro encontro em novembro, um grupo menor vai ser reunir novamente no Palácio de Lambeth em maio de 2019 para continuar o trabalho.

O Arcebispo de Cantuária, Justin Welby, disse: “Eu estou ansiosamente esperando pelo Seminário St. Agostinho em novembro. Este encontro terá um papel significativo na medida em que buscamos a sabedoria de Deus no desenvolvimento e definição dos temas para a próxima Conferência de Lambeth.

“O livro de 1 Pedro é um dos meus favoritos. Há tanto nele que é pertinente para a Igreja, para o mundo, para os tempos em que estamos vivendo e para nós enquanto buscamos orientação e direção para a Comunhão Anglicana nos anos que virão.

“Os conhecimentos e ideias das/os teólogas/os que se reunirão será vital para conformar o pensamento em áreas como as exposições bíblicas, os grupos de estudos bíblicos e as homilias. Eu estou orando para que seja um tempo entusiástico e estimulador juntas/os.”

Professora Strawbridge descreveu sua participação no Seminário St Agostinho como “uma honra em absoluto”, acrescentando: “Eu tenho admirado o trabalho de muitas/os que estarão participando do evento; e eu estou muito entusiasmada de ver o que acontecerá quando tanta gente incrível, convicta e de coração e mentes fiéis são colocadas juntas para discutir as Escrituras Sagradas e a Igreja.

“Um dos focos da Conferência será sobre colegialidade e minha esperança é que este seminário ajude a “modelar” precisamente esse aspecto na medida em que usamos as lentes das Escrituras Sagradas para explorar o que significa caminhar juntas/os num mundo conectado, mas nem sempre relacional. Mais do que isso, minha esperança é que este grupo ajude a pensar criativamente sobre diferentes maneiras de se fazer os estudos bíblicos, incluindo jeitos de concordar em discordar sobre os significados dos textos.

O seminário trabalhará arduamente sobre 1 Pedro, como uma grande moldura para o tema da Conferência de Lambeth: A Igreja de Deus para o Mundo de Deus: caminho, testemunho e escuta. As pessoas que virão ao seminário irão refletir teologicamente e a partir dos diferentes contextos sobre 1 Pedro. Isto estará em sintonia com os outros grandes temas que vem da carta de Pedro como nosso chamado em Cristo, nossa comunhão em Cristo, a proclamação do Cristo e a exortação de pastorear o reganho com humildade”.

Texto de autoria do ACNS-Anglican Communion News Service traduzido por Paulo Ueti

Convite dos líderes religiosos à participação do Tempo da Criação

qua, 12/09/2018 - 11:18

Faça o download do material do “Tempo da Criação”:  TEMPO-DA-CRIAÇÃO

Veja o vídeo do Arcebispo de Cantuária, Justin Welby falando sobre o Tempo da Criação: https://www.youtube.com/watch?v=bovWrpqWcqY

Queridos irmãos e irmãs em Cristo,

“Pergunta, pois, aos animais e eles te ensinarão; às aves do céu e elas te instruirão. Fala (aos répteis) da terra, e eles te responderão, e aos peixes do mar, e eles te darão lições. Entre todos esses seres quem não sabe que a mão de Deus fez tudo isso?” (Jó 12:7-9)

Um vez por ano, de 1º de setembro a 4 de outubro, os membros da família de Cristo reservam um tempo para aprofundar seu relacionamento com o Criador, com o próximo e toda a criação. Estamos falando do Tempo da Criação, que teve início em 1989 com o primeiro reconhecimento do dia de oração pela criação por parte do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, mas que agora é celebrado por toda a família cristã.

Durante o Tempo da Criação, nos unimos para celebrar a boa dádiva da criação e refletir sobre o cuidado que dispensamos a ela. Essa é uma oportunidade preciosa que temos para interromper nossas rotinas diárias a fim de contemplar a teia de vida que nos une.

À medida que a crise ambiental se aprofunda, nós cristão somos chamados a dar testemunho de nossa fé, tomando medidas ousadas para preservar a dádiva que partilhamos. Como canta o salmista: “Do Senhor é a terra e tudo o que ela contém, a órbita terrestre e todos os que nela habitam” (Salmo 24:1). Durante o Tempo da Criação, devemos nos perguntar: Será que nossas ações honram ao Senhor como Criador? Existe alguma forma de aprofundar nossa fé, protegendo nossos irmãos e irmãs mais vulneráveis, que sofrem as consequências diretas da degradação ambiental?

Nós o convidamos a juntar-se a nós numa jornada de fé que nos desafia e recompensa com novas perspectivas e laços mais profundos de amor. Unidos por um desejo sincero de proteger a criação e todos que a partilham, damos nossas mãos como irmãos e irmãs em Cristo, independentemente de nossas denominações. Neste Tempo da Criação, caminharemos juntos para desempenhar melhor nosso papel como guardiões da criação. 4 Convite dos líderes religiosos à participação do Tempo da Criação.

“Bendize, ó minha alma, o Senhor! Senhor, meu Deus, vós sois imensamente grande! De majestade e esplendor vos revestis, envolvido de luz como de um manto. Vós estendestes o céu qual pavilhão.” (Salmo 104:1-2)

Com você, damos graças pela comunidade de cristãos em todo o mundo que tem levado o amor para o Tempo da Criação, e louvamos ao Criador pelas dádivas que recebemos.

Na graça de Deus,

Arcebispo Job de Telmessos, Representante Permanente do Patriarcado Ecumênico ao Conselho Mundial de Igrejas, o Patriarca Ecumênico Bartolomeu I

V. Em.ª Justin Welby, Arcebispo de Canterbury

Cardeal Peter K.A. Turkson, Presidente do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral

Dr. Olav Fykse Tveit, Secretário Geral do Conselho Mundial de Igrejas

Bispo Efraim Tendero, Secretário Geral da Aliança Mundial Evangélica

Dr. Martin Junge, Secretário Geral da Federação Luterana Mundial

Rudelmar Bueno de Faria, Secretário Geral da ACT Alliance

Ordenações diaconais na DAPAR

seg, 10/09/2018 - 13:15

Duas ordenações diaconais foram realizadas no primeiro e segundo domingos de setembro na Diocese Anglicana do Paraná – DAPAR, presididas pelo Revmo. Bispo Naudal Alves Gomes, Primaz da IEAB e Diocesano do Paraná.

Foram ordenados ao diaconato, a Revda. Volnice e o Revdo. Gregório:

Comissão de Incidência Pública da IEAB elabora material para período eleitoral

seg, 10/09/2018 - 12:49

Este material busca apoiar a reflexão neste momento eleitoral, ajudando as pessoas a discernir os discursos e atitudes das pessoas que se apresentam como candidatas aos diversos níveis de governo. Mas também quer ser uma contribuição da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil para capacitar melhor as pessoas cristãs na participação política que constrói uma sociedade autenticamente democrática, na qual a participação política seja instrumento do serviço/poder que promove libertação.

PARA FAZER O DOWNLOAD DO MATERIAL: Eleições 2018 IEAB


Membros da Comissão de Incidência Pública, Direitos Humanos e Combate ao Racismo:

Sr. Daniel Souza, Diocese Anglicana de São Paulo/SP

Bispo Humberto Maiztegui, Diocese Meridional, Porto Alegre/RS

Revda. Lilian Conceição da Silva, Diocese Anglicana do Recife/PE

Revdo. Luiz Carlos Gabas, Diocese Anglicana do Paraná

Sr. Pedro Montenegro, Diocese Anglicana de Brasília/DF

Carta Pastoral do Bispo Mauricio Andrade à 35ª Reunião Conciliar da Diocese Anglicana de Brasília da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, reunida na Paróquia da SSª Trindade, Paranoá-DF, nos dias 01 e 02 de setembro de 2018

qui, 06/09/2018 - 12:18

1. Irmãs e Irmãos em Cristo reunidas nesta reunião conciliar da Diocese Anglicana de Brasília, desejo que este seja mais um momento de encontro, partilha, diálogo e decisões no caminho da unidade e na perspectiva da mudança a que somos chamadas e chamados a viver a cada momento de nossas vidas em Cristo.

2. Sim, porque seguir a Cristo requer de cada uma e cada um de nós mudanças. E essas são constantes. Seguir a Cristo exige assumir que estaremos na contracultura, mas também que estaremos exercendo e expressando o amor que vem de Deus e nos motiva a amar sem medo e com toda força.

3. Nessa chegada ao Concílio, somos acolhidas e acolhidos, com muita alegria e fraterna hospitalidade, pela Paróquia da SSª Trindade, que, neste mês de setembro, celebra 26 anos da presença Anglicana no Paranoá. Tempo de muitas lutas e também de alegrias e glórias, para honra de nosso Senhor Jesus Cristo.

4. E, nesse contexto de festa na Paróquia da SSª Trindade, não poderíamos deixar de trazer à memória o testemunho de perseverança do Rev. Côn. Josias Alves Conserva, que serviu com grande determinação e foi para nós um exemplo de quem resistiu e nunca desistiu da missão, porque a Missão é de Deus.

5. Hoje celebramos o ministério de liderança e serviço do Rev. Denilson Olivato, juntamente com o povo da Trindade. Vamos adiante meu povo! “Temos muito ainda por fazer, apenas começamos” (Renato Russo).

6. Nosso Concílio se envolve na moldura de três grandes referências para nossa espiritualidade na missão. Começamos a semana celebrando o testemunho e vida de Dom Helder Câmara. Seu pensamento e testemunho é uma inspiração para meu episcopado, e continuarei sempre sonhando que um novo mundo é possível: “nas bem-aventuranças de Jesus falta uma, ou está implícita em todas: bem-aventurados os que sonham, porque correrão o doce risco de ver os seus sonhos realizados”.

7. A semana continuou trazendo a memória de Santo Agostinho de Hipona, um dos mais importantes teólogos e filósofo dos primeiros anos do Cristianismo. Suas obras influenciaram o pensamento cristão. Cito, em especial, os livros “Confissões” e “Cidade de Deus”, que marcam o seu cuidado com aquilo que é essencial: “nas coisas essenciais, a unidade, nas coisas não essenciais, a liberdade, e em todas as coisas, o amor”.

8. Na sexta-feira, 31 de agosto, foi dia de recordar Santo Aidan. Ele foi Bispo de Lisdisfarne. Conhecido como apóstolo da Nortumbria, foi o responsável pela restauração do Cristianismo naquela região. Como um bispo missionário, no ano de 631, ele caminhou a pé pelas aldeias conversando e inspirando as pessoas pobres.

9. Aqui, quero expressar em Concílio as boas-vindas ao nosso irmão Rev. Izaias Torquato, que no último interregno conciliar, mais precisamente em setembro de 2017, foi acolhido e instalado Ministro Encarregado na Paróquia São Felipe e depois também na Missão da Reconciliação. Oferecemos as boas-vindas também ao Rev. Geraldo Magela, que vem cedido pela Diocese Anglicana do Recife e aqui, por este tempo, assume os deveres e direitos de clérigo da Diocese Anglicana de Brasília.

10. Na inspiração destes pais da Igreja, quero hoje expressar minha gratidão a Deus, a minha família e ao clero e povo desta Diocese por chegar ao décimo quinto ano de episcopado pela vontade de Deus e eleição do povo. Muito obrigado pelo caminhar de serviço. E vamos adiante!

11. Este Concílio seguirá a inspiração do que moveu toda a Igreja na preparação e chegada da Confelíder e do Sínodo: “Ora, vocês são o corpo de Cristo, e são membros dele, cada qual a sua maneira”. Foi enorme a nossa alegria ao acolher o povo da Igreja em Brasília naquela bela festa.

12. Quero lançar uma motivação para nosso caminhar diocesano que vem baseada na teologia de João, a qual nos traz a ênfase na encarnação: “o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1,14) e no amor. O amor que se transforma na chave da vida cristã, porque foi por amor que Deus nos salvou: “Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu único filho para nos salvar” (João 3,16). É pelo amor que poderemos experimentar a mais profunda comunhão com Deus “nisto conhecemos o amor: que Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar nossa vida pelos irmãos” (I João 3, 16).

13. É nesta trilha que ofereço, com muita energia, o tema para nossa inspiração diocesana “o perfeito amor lança fora o medo” (I João 4,18).

14. Para viver essa experiência de que o amor é a chave do nosso ser e fazer cristãos, é indispensável se perceber no “andar” no entendimento e na sabedoria: “a sabedoria edificou a sua casa (…) andai pelo caminho do entendimento” (Proverbios 9, 1-6). O imperativo do convite é: “andai no entendimento”.

15. Certamente, andar no entendimento exige de cada uma e cada um de nós muito mais do que o senso comum. Porque, frequentemente, o senso comum é discriminatório, preconceituoso, reducionista, simplista, e, na maioria das vezes, flerta com a ideologia dominante. Por isso o senso comum é ostentado pela maioria.

16. De outro lado, o bom senso, requer discernimento, visão, leitura crítica, autonomia de pensamento e coragem. Pois o bom senso caminha na contramão da ideologia dominante.

17. Muitas vezes, o novo não leva à certeza de que será melhor. Contudo, o novo nos coloca na possibilidade da mudança, e nos desafia a aprofundar e fortalecer nosso entendimento da vida.

18. Como Igreja, somos chamados a ser “uma parábola de amor” (Paulo Ueti). E ser essa parábola é estarmos prontas e prontos a acolher a todas as pessoas.

19. O Concilio Diocesano é um espaço de encontro e de partilha. Nessa experiência, cada qual de nós temos a plena liberdade de nos expressar a partir do entendimento individual a respeito de cada tema a ser refletido, dialogado e decidido. Por isso, o Concilio é uma oportunidade de diálogo, reflexão e conversa na busca da unidade. Na busca de nos mantermos juntos na missão nos diferentes cantos de nossa Diocese.

20. Muito especialmente, neste Concilio desejo que sejamos Guiados pelo amor a viver a Parábola do amor. O amor que é paciente, que não busca seus próprios interesses, que vive em comunidade.

21. Guiados pelo amor estaremos também sendo guiados para a justiça.

22. Muito especialmente, neste Concilio estará em nossa pauta o tema da mudança canônica que foi aprovado pelo Sínodo Geral da Igreja. E é importante recordar que o tema da sexualidade humana tem sido abordado na Igreja desde 1997, com a publicação da Carta Pastoral da Câmara Episcopal. Ao longo desses 21 anos, o diálogo, a reflexão e as conversas foram sendo construídas. E hoje temos um Cânon aprovado que acolhe o casamento para todas as pessoas.

23. Aqui, exorto para que, guiados pelo amor, possamos exercer a nossa liberdade de diálogo, compreendo a decisão de cada qual, sempre garantindo o respeito.

24. Os caminhos são construídos por passos. E, a cada passo, se constrói um novo caminhar.

25. Não é demais recordar a palavra sábia do provérbio africano: “se você que ir rápido, vá sozinho. Mas se quiser ir longe, vá em grupo”.

26. Neste Concílio, também estaremos mergulhando e aprofundando as ações do PLAD 2018-2022, o qual começamos a revisar em novembro de 2017.

27. Reafirmamos nossa Missão: “Ser uma Igreja missionária, instrumento do anúncio e testemunho do Reino de Deus, por atos e palavras. Viver, na diversidade e inclusividade, o nosso jeito de ser Anglicano”.

28. Reafirmamos nossa Visão: “Ser uma Igreja ousada e dinâmica no testemunho do Evangelho, na ação missionária e na promoção da vida, servindo no amor, na fidelidade e na solidariedade”.

29. E reafirmamos o nosso Objetivo Geral: “Fortalecer as comunidades atuais, tornando-as missionárias, buscando a formação de novas comunidade, de forma que a Igreja seja inclusiva e terapêutica.”

30. A partir dessa base, construímos quatro eixos de ação: • Multiplicar os dons e talentos existentes em cada comunidade; • Qualificar as comunidades para atender as pessoas violadas em seus direitos; • Divulgar e fortalecer o Ethos Anglicano; • Fortalecer o canal de comunicação direito e exclusivo com o público interno ativo.

31. E ainda, unido ao PLAD, recordo os desafios da Carta Pastoral do ano passado, os quais ainda devemos seguir: • Formar grupos de estudo bíblico e formação para o discipulado intencional; • Aprofundar e construir ações para que nossas comunidades se tornem espaços seguros, comprometidos com o bem-estar físico, emocional e espiritual para as pessoas que sofrem abusos e discriminações.

32. Por fim, e não por último, quero trazer à memória que estamos em ano de eleições gerais. Viver e ser guiados pelo amor é também demonstrar nossa indignação com a situação de crise ética, politica, econômica e institucional que passa o nosso país. E precisamos buscar votar em pessoas que se pautam pelos princípios que envolvem: a paz, a solidariedade às pessoas empobrecidas, a paixão pelo servir. Devemos eleger pessoas que estejam comprometidas com as causas da justiça e promoção social.

33. E nunca é demais recordar que nosso compromisso se concretiza nas Marcas da Missão:

• Proclamar as boas novas do Reinado de Deus; • Ensinar, batizar e nutrir os novos crente;

• Responder às necessidades humanas com amor;

• Procurar a transformação das estruturas injustas da sociedade, desafiar toda espécie de violência e buscar a paz e a reconciliação;

• Lutar para salvaguardar a integridade da Criação, sustentar e renovar a vida na terra.

Que estejamos unidos no caminhar, guiados pelo amor e, sendo parábola do amor de Deus, servindo e transformando vidas.

Que o Amor de Deus nos Una.

Amém.

Mauricio Andrade +

Bispo Diocesano


No caminho a gente se entende, mas caminhar é preciso: 35º Concílio da Diocese Anglicana de Brasilia, Paranoá/DF

qui, 06/09/2018 - 11:58

1 e 2 de Setembro de 2018

“Grava-me como um selo em teu coração,

Como um selo em teu braço;

Pois o amor é forte, é como a morte!

Cruel como o abismo é a paixão;

Suas chamas são chamas de fogo

Uma faísca divina.” (Ct 8:6)

A Diocese Anglicana de Brasília dá testemunho do seu compromisso de ser o sacramento do Cristo em meio a uma sociedade violentada e carente de amor e solidariedade, escutando os clamores do povo e da natureza para continuar sendo comunhão (koinonia) e serviço (diaconia) em direção ao Reinado de Deus.

O 35º Concílio da Igreja local, que aconteceu em Setembro de 2018, cumpriu seu objetivo de congregar o povo de Deus, sob a orientação da Ruah Divina (o Espírito perturbador de Deus, cf At 2:1-13), para ouvir a Palavra de Deus e obedecer o mandamento de permanecer no amor, através da oração, diálogo e cuidado (pastoral/diaconia). Amar não é uma tarefa fácil. E sim, amar é uma tarefa, uma ação que afeta você mesma/o e a outras pessoas. E amar implica em permanecer no desejo de dialogar e caminhar juntas/os. E não, continua não sendo fácil.

O Concílio foi longamente preparado, sob a orientação do Espírito Santo, em oração, estudo e escuta do que Deus quer de nós e para nós (para o mundo). Em meio a tantas estatísticas de violência, empobrecimento, desigualdades crescentes, assassinatos e adoecimento (mental, físico, espiritual) a or(a)ção é um caminho transformador e sustentador da fé e do compromisso com a Missão de Deus que quer que “todas as pessoas sejam salvas e cheguem ao conhecimento de Deus” (cf. 1Timóteo 2:4).

O Sínodo Geral da Igreja do Brasil precedeu nossa reunião conciliar. Um sínodo é o momento em que a igreja escuta seus membros, escuta a Palavra de Deus, celebra a comunhão/eucaristia como sacramento (já é, mas ainda não) do Reinado de Deus e decido “syn odos” (sinodar – caminhar junta, na mesma perspectiva). Esse sínodo deixou-nos algumas lições importantes que precisamos sublinhar: escutar até o fim, permanecer no amor e na tolerância, concordar em discordar, discordar na caridade e no testemunho fiel do Cristo ressuscitado, continuar com os pés, o coração e a teologia na realidade, sendo uma Igreja profética, ousada e aberta ao novo.

Como resultado do ser igreja juntas e juntos, na saúde e na doença, na tristeza e na alegria, no dialogo e na diversidade realizamos nosso concílio nesse mesmo espírito e dedicação ao Reinado de Deus. Celebramos o Concílio no marco dos 15 anos de serviço de Maurício que para nós é o Bispo Diocesano e conosco é nosso irmão na caminhada.

Em nosso Concílio então:

Foram reafirmados os compromissos da Igreja de Cristo com a missão que transforma o mundo e a humanidade. A missão é identitária (não é qualidade nem muito menos opção) de nossa comunidade religiosa. Somos pessoas chamadas para a presença de Deus, do Cristo, para sermos enviadas ao mundo, não para nos conformarmos com ele (em suas maldades e desigualdades) mas para transformá-lo (Cf. Romanos 12:2). Queremos ser uma Igreja sempre reformada (Ecclesia semper reformata, Karl Barth, citando Sto Agostinho) ou seja, uma igreja que para continuar sendo fiel ao mandato de Jesus de amar, inclusive aos inimigos, e bendizer sempre, inclusive aos que nos desejam mal, tem sempre que reexaminar a si mesma, sua doutrina e teologias, estar disposta a mudanças para que o serviço (diaconia) ao mundo (pessoas e natureza) sejam sempre fiéis e retas. Jesus fez isso com sua religião e nos ensina a fazer isso com a nossa. Como compromisso concreto a Igreja Nacional e portanto nossa Diocese está alinhada na colaboração com a execução dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) focando nos seguintes: Fome e Pobreza, Igualdade de Gênero, Desigualdades, Paz e Justiça. Também se percebeu uma consciência e sensibilidade maior para as questões de Justiça Climática e cuidado com o Meio Ambiente. Essa área de ação precisa ser mais desenvolvida e ganhar corpo em nossa igreja local, ficou o desafio.

Foram reafirmados os compromissos da igreja com a missão integral (holística).O mandato de Jesus para ir ao mundo e batizar em nome da Trindade revela o objetivo e o método com os quais devemos trabalhar. Somos enviadas/os a batizar. Batizar é um verbo que significa (no idioma origina do Novo Testamento) “fazer mergulhar, envolver, conectar”. Ou seja, nossa missão é envolver mais pessoas no projeto de Jesus, no caminho da solidariedade e da profecia. Nossos ouvidos precisam ouvir mais claramente o clamor que sobre daquelas pessoas em situação de vulnerabilidade e insegurança (em todos os níveis). Nosso chamado é para ir ao encontro de quem precisa, olhar, prestar atenção, cuidar, compartilhar nossos recursos (financeiros inclusive), acompanhar e garantir que situações de violência não aconteçam de novo (cf Lucas 10:25-37). Ajudamos primeiro, depois perguntamos, se é que perguntamos. Nossa missão é desenvolver teologias e dizer palavras (discursos: pregações, meditações, orações) que congreguem, curem, “ajuntem” e incluam todas as pessoas, pois TODAS (e todas são sempre TODAS) são Imago Dei – imagem e semelhança de Deus. E é em nome da Trindade, uma expressão divina e um recado direto para todas nós que a comunidade, a capacidade de permanecer juntas/os e o desafio de amar sempre são a “maneira, o método, o jeito” pelo qual as pessoas crentes devem atuar, pensar e falar.

Foram reafirmados os compromissos da igreja com a sua natureza: missionária, diversa, plural e inclusiva – espaço seguro e parábola do Reino. A igreja é o sacramento primeiro da presença real de Jesus Crucificado e Ressuscitado entre nós. Ela é o corpo de Cristo que foi oferecido por nós e por nossa salvação para a remissão dos pecados, para que a gente não entre em caminhos errados e que nos afastem do coração misericordioso de Jesus. Através e como resultado de muita oração, meditação e reflexão reconhecemos que somos uma igreja plural, reconhecemos e celebramos que essa diversidade é dom e graça de Deus, revisitamos nossas teologias e nossas doutrinas para que continuem sendo fieis a Deus e ao seu chamado de amor e misericórdia. No espírito de testemunho do amor de Deus que acolhe, abençoa e fortalece toda a gente, a Igreja diocesana aprovou por maioria a celebração eclesial, espiritual e litúrgica do santo matrimônio cristão estendido a TODAS as pessoas que o desejarem. O Livro de Oração Comum já está preparado para acolher a união de PESSOAS em santo matrimônio e isso marca um profético e ousada posição de uma igreja cristã em nossos contextos. Reconhecemos que o caminho e as decisões tomadas necessitam ainda de muita oração e acompanhamento, necessita de insistência e persistência para irmos mais longe e na direção certa do Reinado de Deus, que já está aqui e agora, mas ainda está por construir no dia-a-dia de nosso trabalho missionário.

Acompanhados pelo provérbio africano que diz que “se queremos ir rápido, devemos viajar sozinhos, mas se queremos ir longe, devemos ir juntas/os”, o Concílio celebrou seu companheirismo com outras organizações nacionais, internacionais e da família Episcopal Anglicana, especialmente: USPG, Anglican Alliance, Diocese de  Indianápolis (USA), Paróquia de Punta Gorda (Flórida, USA), relações na Convenção Geral da Igreja Episcopal dos Estados Unidos, com a família ecumênica nacional (CONIC, CEBI, Diaconia, CESE, entre outras). Essas alianças permitem que a Diocese se abra para outras experiências, bem como permite que outras localidades aprendam de nosso jeito de ser igreja e de como juntas/os podemos transformar vidas e estruturas injustas. Foi reafirmado o compromisso da Diocese de cultivar essas relações e abrir-se a outras possíveis no caminho de fé e missão.

O Concílio também foi o momento de escutarmos sobre nosso ministério na Diocese, pararmos para ouvir atentamente o que o Espírito diz as Igrejas (Ap 2:7) através das nossas comissões e serviços diocesanos. Escutamos as atividades que foram realizadas, as avaliações e propostas de continuidade. Compartilhamos nossa vida econômica (administração e finanças) de nossas comunidades, ações sociais e escritório diocesano, a partir do princípio da transparência e do constante apelo ao compromisso de cada membro da igreja de contribuir com seu trabalho e também com seus recursos financeiros e profissionais com a vida da igreja local. Esse é sempre um apelo de Deus e da realidade para que nossa “responsabilidade” cristã seja cada vez mais forte e constante, a fim de que a Igreja de Jesus possa continuar sendo um sacramento dele no mundo e para o mundo, a fim de transformá-lo para que o Reinado de Deus seja realidade mais e mais.

Reafirmamos nossa visão e missão:

Missão: “Ser uma igreja missionária, instrumento do anuncio e testemunho do Reino de Deus, por atos e palavras. Viver na diversidade e Inclusividade o nosso jeito de ser anglicano, inseridas e inseridos no contexto sociocultural das comunidades.”

Visão: “Ser uma igreja ousada e dinâmica no testemunho do evangelho e na ação missionária na promoção da vida, servindo no amor, fidelidade e solidariedade.”

Na celebração final desta reunião de graça e misericórdia, de escuta e diálogo, de tolerância e permanência, porque o Amor de Deus é para todas/os nós, tivemos a grata pregação/provocação de nosso irmão e companheiro de caminhada que hoje trabalha na USPG Rev. Canon Richard Bartlett. Ele nos exortou a quatro grandes reflexões que nos deve levar a uma profunda or(a)ção interior e em direção ao mundo: Que declaração de fé fazemos? E nosso chamado de ser uma igreja PRESENTE, PROCLAMADORA E PROFÉTICA. Aqui algumas reflexões sobre o que isso significa, para além do sermão do nosso irmão Richard, mas a partir dele.

  • Que significa nosso Credo Apostólico e Niceno-Constantinopolitano: qual é a nossa declaração de fé? Em que acreditamos? Em qual Deus pomos nossa confiança? Nosso Deus é o Deus de…? As respostas a todas essas questões sempre estão na ponta da língua e, como Paulo e sua tradição que chegou até nós, nós proclamamos (ou deveríamos pelo menos) o Cristo Crucificado e Ressuscitado que nos redimiu e nos presenteou com a salvação, por amor incondicional. Nosso modelo é Jesus, a Trindade que expressa a verdadeira comunidade e modelo de vida, pastoral e teologias. Mas, isso é um compromisso muito grande, pois é necessário realmente conhecer Jesus, seu ministério, suas palavras (teologias) e seus compromissos políticos para que possamos seguir seus passos e refazer seu caminho hoje e sempre. Fica o desafio.
  • Somos uma igreja PRESENTE: Estamos neste contexto, no cerrado, na Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, na Família Episcopal/Anglicana mundial, na Família Ecumênica. Estamos em diferentes contextos tentando fazer a diferença e anunciar que o Reinado de Deus já está no meio de vocês. Somos presentes em lugares de necessidades econômicas e onde a necessidade espiritual também nos convoca. Estamos tecendo uma rede de carinho, compromisso e principalmente solidariedade para com as pessoas mais vulneráveis que podemos atingir. E somos do CERRADO, presença “torta”, resiliente, diversa e cuidadora, assim como a natureza de nossa região. Somos de diversos cheiros e sabores e procuramos ser alimento e motivação para todas as pessoas e organizações com as quais temos relação.
  • Somos uma igreja PROCLAMADORA: É nosso dever proclamar as boas novas do Reinado de Deus (5 Marcas da Missão – Lucas 4:18-19). Essa proclamação se da na oração e no trabalho (ministério, diaconia), inspiradas na tradição bíblica e da nossa igreja, bem como enraizada na espiritualidade beneditina (ora et labora e nada antepor ao amor de Cristo, Regra SB). E o conteúdo da proclamação deve ser baseado no amor, na solidariedade e no compromisso com os valores e as estruturas do Reino de Deus. Proclamar que Jesus é o Senhor de nossas vidas é comprometer-se com seu caminho, suas ações, sua ideo-teologia, sua religião que esta focada nos mais pequeninos, nos que sofrem, nos que tem jugos pesados, nos que são excluídos da sociedade e da religião tradicional, nas pessoas que estão sedentas de sentido, de beleza e de pão cotidiano. Celebramos o ministério de nosso Bispo Diocesano e do corpo da igreja de Cristo aqui no Cerrado que sempre pede a Deus ‘que a dor, a injustiça, a guerra, a mentira e o futuro’ não nos sejam indiferentes (Eu só peço a Deus, cantada por Beth Carvalho) e que se lança para outras margens, proclama que todas as pessoas são bem vindas porque todos e todas somos o Corpo de Cristo, cada um à sua maneira (cf. Coríntios 12) e que continuar a mensagem que de o “perfeito amor lança fora todo o medo” (1João 4:18).
  • Somos uma igreja PROFÉTICA: em nome de Jesus proclamamos os valores do Reino e os requerimentos para que ele seja revelado, pois ele já está no meio de nós (cf Marcos 1:15). Somos convidadas/os à ousadia e à coragem de avançar e continuar nosso ministério interno e externo no espírito da transformação e da sustentabilidade. Nossa liturgia, teologias, ministérios são alimentados pelo desejo de justiça, dignidade e segurança de todas as pessoas e do planeta. Continuamos trabalhando para uma igreja que seja lugar seguro para todas as pessoas, uma igreja que seja o lugar de aprender que a justiça e o direito são o coração do ministério de Jesus, é a religião que Deus gosta, bem como a oração e o encontro íntimo com Deus são necessidades de todo crente para alimentar uma mente e um coração abertos ao novo e ao Espírito Santo, fogo ardente e vento impetuoso, que desinstala nos tirando de nosso lugar confortável. Somos PROFECIA, uma palavra de Deus que proclama de Deus é o Deus do Êxodo, da libertação, da alegria e da igualdade. É sempre bom lembrar o conteúdo da profecia para alinhar nossas comunidades com ela. Desafio constante em nosso dia-a-dia.

Como não pode ser diferente e porque “a festa sempre continua” (moto do nosso Bispo) terminamos nosso concílio com uma grande refeição comunitária. Comer juntas/os é uma das partes mais fundamentais de nossa tradição cristã, o ágape, para nos lembrar do quanto devemos partilhar e o quanto isso é importante na proclamação do Reino. Agradecidas/os à todas as pessoas que estiveram ministrando na cozinha para que nossas refeições estivessem prontas e bem servidas, bem como a todas/os participantes do Concílio encerramos com a certeza de termos cumprido nossa tarefa de nos escutar mutuamente, orar como igreja diversa mas unida e estar abertas/os ao Senhor que nos envia ao mundo pois a necessidade é grande e a messe ainda pequena.

A bênção do Deus de Sara, Abraão e Agar,
a bênção do Filho, nascido de Maria,
a bênção do Santo Espírito de amor,
que cuida com carinho, qual mãe cuida da gente,
esteja sobre todas nós. Amém!

Texto: Diocese Anglicana de Brasília – DAB

NOTA DE APOIO AO POVO GUARANI KAIOWÁ DO CONE SUL MATOGROSSENSE

sex, 31/08/2018 - 10:13


“Fazei justiça à pessoa fraca e à órfã, procedei retamente com a aflita e a desamparada.

Socorrei a fraca e a necessitada; tirai-as das mãos das pessoas ímpias”. (Salmo 82:3-4)

A Comissão de Incidência Pública, Direitos Humanos e Combate ao Racismo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, vem a público manifestar sua solidariedade ao Povo Guarani Kaiowá do Cone Sul Matogrossense, que vem enfrentando desse muito tempo uma crescente e violenta opressão que lhe é imposta pelo capital: o agronegócio, as organizações classistas e os meios de comunicação que exercem grande influência na vida das pessoas, e tudo sob a tutela do estado em suas diferentes instâncias.

Repudiamos e denunciamos a violenta e arbitrária ação policial que aconteceu no último dia vinte e seis de agosto contra as Tekorás Guarani Kaiowá de Amambaí Pegua I e Guapoy, em Caaropó, Mato Grosso do Sul.

Seis indígenas foram alvejados por balas de borracha, outros agredidos fisicamente e três deles atropelados por veículos da Polícia Militar. Ambrósio Alcebiades, de setenta anos, continua encarcerado.

Um número expressivo de militares, viaturas e até mesmo um helicóptero foram usados na violenta e desproporcional ação militar. Mulheres, crianças, pessoas idosas e doentes viveram momentos de muita tensão e pânico.

Lembramos que as Tekorás são fundamentais para que o Povo Guarani Kaiowá possa continuar preservando suas milenares tradições, a cultura, a mística, a religiosidade e a língua.

Assim, conclamamos os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do Estado do Mato Grosso do Sul a que cumpram a Constituição Brasileira, respeitem os Tratados Internacionais e garantam ao Povo Guarani Kaiowá o direito à uma vida plena em dignidade.

Em Cristo Libertador,

Cascavel, 31 de agosto de 2018.

Independência de Trinadad e Tobago, 1962.

3.500 famílias do MST ocupam a Fazenda Santa Mônica, em Corumbá/GO, de suposta propriedade do senador Eunício de Oliveira, 2014.

Sr. Daniel Souza, Diocese Anglicana de São Paulo/SP

Bispo Humberto Maiztegui, Diocese Meridional, Porto Alegre/RS

Revda. Lilian Conceição da Silva, Diocese Anglicana do Recife/PE

Revdo. Luis Carlos Gabas, Diocese Anglicana do Paraná/PR

Sr. Pedro Montenegro, Diocese Anglicana de Brasília/DF

NOTA DE APOIO À PASTORA LUSMARINA CAMPOS GARCIA E AO PASTOR INÁCIO LEMKE, DA IGREJA EVANGÉLICA DE CONFISSÃO LUTERANA NO BRASIL – IECLB

sex, 31/08/2018 - 10:07

“Bem-aventuradas serão vocês quando por minha causa lhes insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês. Alegrem-se e se regozijem, porque grande é a recompensa de vocês nos céus, pois da mesma forma perseguiram profetas que viveram antes de vocês”. (Mateus 5:11-12)

A Comissão de Incidência Pública, Direitos Humanos e Combate ao Racismo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, vem, por meio desta, expressar sua solidariedade a Pastora Lusmarina Campos Garcia e Pastor Inácio Lemke, as duas pessoas da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), que, por causa de suas atitudes proféticas e generosas vem recebendo ameaças e ataques dentro da sua própria igreja, quanto de setores que promovem a intolerância, o desrespeito, a violência e o medo como meio de impor suas convicções.

Apoiamos o posicionamento da Presidência da IECLB, na pessoa do Pr. Dr. Nestor P. Friedrich, que em recente nota manifestou que “reações de agressão e de difamação à opinião divergente são inaceitáveis”, tanto “por vivermos em um país democrático” quanto por “nossa fidelidade ao Evangelho de Jesus Cristo”.

A Pra. Lusmarina, como afirma também a carta de Mulheres Ordenadas da IEAB em seu apoio, assumiu sua voz profética ao se colocar ao lado das mulheres, em especial as mulheres pobres – em sua maioria negra – que morrem por abortos realizados sem a mínima segurança, sendo ainda criminalizadas pela lei, e pelo direito de todas as mulheres a decidirem sobres seus próprios corpos.

O Pr. Inácio é um lutador social de muitas décadas que, como o fez nosso Bispo Primaz Naudal Alves Gomes, foi visitar o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva que, conforme foi manifestado em Carta da Câmara Episcopal e de Mulheres Ordenadas da IEAB, se encontra preso injustamente e de forma claramente política, com a intenção de impedir sua candidatura e possível eleição à Presidência da República. Quando do outro lado há pessoas religiosas apoiando candidatos com plataformas política que incitam a violência, a LGBTfobia, a desigualdade de gênero e o racismo, alguns dos quais nitidamente envolvidos em atos de corrupção, mas contra as quais o poder judiciário não se mobiliza.

Por um Brasil laico, democrático e respeitoso dos Direitos Humanos.

Em Cristo Libertador,

Porto Alegre, 30 de agosto de 2018.

Independência de Trinadad e Tobago, 1962.

3.500 famílias do MST ocupam a Fazenda Santa Mônica, em Corumbá/GO,

de suposta propriedade do senador Eunício de Oliveira, 2014.

Sr. Daniel Souza, Diocese Anglicana de São Paulo/SP

Bispo Humberto Maiztegui, Diocese Meridional, Porto Alegre/RS

Revda. Lilian Conceição da Silva, Diocese Anglicana do Recife/PE

Revdo. Luis Carlos Gabas, Diocese Anglicana do Paraná/PR

Sr. Pedro Montenegro, Diocese Anglicana de Brasília/DF

Projeto de Formação Continuada tem início na Diocese Anglicana do Recife

qua, 29/08/2018 - 12:30


Teve início na manhã do sábado (25 de agosto), na Paróquia Anglicana Jesus de Nazaré, situada na R. São Miguel, 15 – Carmo – Olinda/PE, o primeiro módulo do projeto “Consolidando a Identidade Anglicana no Nordeste do Brasil”, com o tema “Anglicanismo: História e Identidade”. O módulo foi ministrado pelo Revdo. Eduardo Henrique.


O projeto conta com seis (06) módulos: “Anglicanismo: História e Identidade”, “Anglicanismo no Brasil: a História da IEAB”, “Anglicanismo: identidade, missão e serviço”, “Missão e responsabilidade sócio-política na realidade brasileira atual”, “Missão, cultura e questões étnico-raciais” e “Missão, gênero e sexualidade”. Os módulos serão gravados e posteriormente disponibilizados para a formação continuada do clero e lideranças leigas.


O projeto “Consolidando a Identidade Anglicana no Nordeste do Brasil”, é financiado pela CETALC (Comisión de Educación Teológica para a América Latina y el Caribe) e promovido pelo SAET (Seminário Anglicano de Estudos Teológicos – CET/D.A.R.).

Fotos e texto: Diocese Anglicana do Recife – DAR

UM NOVO JEITO DE SER IGREJA – Visita Episcopal do Primaz ao DMA

seg, 27/08/2018 - 16:56

Ainda em sua Visita Pastoral ao Distrito Missionário Anglicano, o Revmo. Bispo Primaz, Naudal Alves Gomes esteve acompanhado de sua esposa, Sra. Carmen Regina Duarte Gomes,  do Revmo. Bispo Maurício Andrade, Diocesano de Brasília, a Secretária Geral da IEAB, Revda. Magda Guedes e também a Comissão Nacional de Diaconia (CND) e JUNET (Junta Nacional de Educação Teológica) e Centro de Estudos Anglicanos (CEA), tendo a presença das Reverendas, Lucia Dal Pont Sirtoli, Carmen Etel, Lilian Conceição e Dilce Paiva. Na agenda desse último final de semana, aconteceram reuniões com lideranças, a ordenação ao presbiterado da Revda. Mayte de La Torre e acompanhamento pastoral e confirmações na Missão São Pedro e São Paulo na Linha 50/Ariquemes-RO.

Seguem as fotos:

Reunião com a prefeitura de Ariquemes/RO  tendo participação da Comissão Nacional de Diaconia (CND), Secretaria Geral e Primaz da IEAB.


Ordenação Presbiteral da Revda. Mayte de La Torre – 25/08/2018

Visita Episcopal do Primaz da IEAB, Revmo. Bispo Naudal e do Revmo. Bispo Maurício Andrade, Bispo Diocesano de Brasília, na Linha 50/Ariquemes – RO, acompanhados da Junta Nacional de Educação Teológica – JUNET para a celebração da eucaristia e confirmações dos jovens.



Primaz da IEAB prossegue com Visita Pastoral pelo DMA

sex, 24/08/2018 - 15:07

Desde o dia 22/08, o Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Revmo. Bispo Naudal Alves Gomes está em visita pastoral pelas comunidades anglicanas em Ariquemes/RO e Campo Verde/MT acompanhado de sua esposa, Sra. Carmen Regina Duarte Gomes, foram recepcionados pelos os membros das comunidades e as clérigas, Revda. Elineide Ferreira e Revda. Mayte Torre, esta que será ordenada presbítera dia 25/08 pelo Primaz da IEAB. A Secretária Geral da IEAB, Revda. Magda Guedes e as clérigas, Revda. Dilce Paiva, Revda. Lucia Dal Pont, Revda. Lilian Conceição e Revda. Carmen Etel, também estão presentes para acompanhar o Primaz em sua primeira visita nesta região do Distrito Missionário Anglicano.

Seguem algumas fotos:

Carta Pastoral da Bispa Marinez Bassotto ao povo da Diocese Anglicana da Amazônia

qua, 22/08/2018 - 16:21

Carta Pastoral à 13ª reunião do Concílio da Diocese Anglicana da Amazônia, reunida na Catedral de Santa Maria, em Belém/PA, de 17 a 19 de agosto de 2018. AD.


Muitas faces, muitos jeitos um só Cristo.

“Ora, vocês são o corpo de Cristo e são membros dele, cada qual a sua maneira”

(1º Coríntios 12:27)

Ao Povo de Deus na Diocese Anglicana da Amazônia no ano de 2018 AD.

Que a graça e a paz de Deus Pai, Mãe, a força libertadora de nosso Senhor Jesus Cristo, e a inspiração transformadora da Ruáh Divina, Espírito Santo de amor estejam com vocês!

Sob a inspiração do tema e do lema conciliar: “Muitas faces, muitos jeitos, um só Cristo”, e “Ora, vocês são o corpo de Cristo e são membros dele, cada qual a sua maneira” (1ª Co 12.27) queremos partilhar a nossa Carta Pastoral. O Concílio é sempre uma oportunidade de partilha, avaliação, renovação e tomada de novos rumos para    a vida da Igreja diocesana. Este ano tem sido, para mim, um ano de adaptações,  tempo de aprendizado, de escuta e de profundas mudanças na minha vida pessoal e familiar.

Assim como para mim, também para a vida da Diocese Anglicana da Amazônia é tempo de novidade, estamos iniciando uma nova caminhada, experenciando como diocese e como IEAB os significados do ministério episcopal feminino e nos “experimentando” mutuamente. É, portanto, tempo de expectativa, mas principalmente tempo de caminhada e de oração. Neste concílio, meu primeiro como Mãe e Pastora do rebanho que Deus me confiou, que são vocês, quero com fé, amor e alegria no coração desafiá-los em primeiro lugar, a refletir e compreender os muitos jeitos de Cristo expressos nas muitas faces daquelas pessoas que caminham conosco, chama- los(as) a conjuntamente renovarmos nossa fidelidade à missão de Deus no mundo / Missio Dei e a redobrarmos a disposição e a coragem para participar ativamente nesta missão.

A Igreja, que somos nós, tem de ser fiel ao Evangelho, anunciando o amor transformador de Deus em Cristo. Por isso nesse Concilio, somos chamados(as) a fortalecer a Igreja, a refletir sobre nossa responsabilidade como discípulos e discípulas de Cristo para com a missão e o crescimento desta Igreja e sua presença transformadora na realidade em que vivemos. A centralidade da missão para a existência da Igreja e sua ação no mundo nunca pode deixar de ser enfatizada. Das mais variadas tradições Cristãs vem a mensagem clara de que a Igreja é missionária em sua essência. Ela existe para dar testemunho das Boas Novas do Reino. A dimensão missionária é parte da própria natureza da Igreja, é parte essencial da vida da Igreja, é sua razão de ser. Por isso desejamos que este Concílio seja um momento de renovação do Povo de Deus no compromisso com o Senhor e o seu Reino e possa ajudar-nos a dar novos passos em direção a vivência desta fé missionária no poder do Espírito Santo.

Missão e Evangelização caminham unidas, tomar consciência de que a Missão é de Deus, acolher a diversidade expressa nos muitos jeitos e muitas faces deste Cristo no qual cremos, e acolher com alegria a ação renovadora e transformadora do Espírito Santo são os meios eficazes para tornar efetiva a ação evangelizadora da Igreja. Tudo isso precisa acontecer a partir de nossas paróquias/Missões/Pontos Missionários. A redescoberta do Reino de Deus como Boas Novas que anunciamos é a chave para a renovação da missão e assim, também para a evangelização que contempla a mensagem da salvação pessoal, mas também do serviço, da compaixão e da transformação social como o próprio Cristo fez.

O segundo desafio que proponho é o de que compreendamos que precisamos ser mais do que apenas uma “instituição”, precisamos ser COMUNIDADE. Precisamos tomar consciência de que somos CORPO, membros do corpo do próprio Cristo, que fazemos parte deste corpo do jeito que somos, e que essa ligação intrínseca com Cristo nos compromete com a sua missão. E isto significa que somos chamados(as) a desencadear em nossas comunidades uma expansão da nossa presença missionária, em fidelidade ao chamado apostólico de testemunhar a fé, a justiça, a paz e o amor onde a nossa sociedade vive a violência, a injustiça, o medo, a exclusão e a dor. Fazer missão e evangelizar não significa fazer “prosélitos(as)”. O proselitismo é apenas uma forma de fazer as pessoas sentarem nos bancos das igrejas. Cristo nos envia a palmilharmos os caminhos de nosso mundo como um sinal de sua presença redentora. Cristo nos chama para mudarmos a vida, pois o Reino de Deus está chegando. Nossa missão é um consagrar-nos à vontade de Deus. Jesus Cristo, encarnação plena de Deus em nosso mundo, é o princípio e o fim de nossa ação na sociedade, princípio e modelo da missão ( Jo 20.21-22). É em nome de Cristo e na força do Espírito Santo que somos enviados(as) (Jo 17.16-22).

Foi necessário que o próprio Deus se fizesse “carne”, “gente” como nós, e assim vivesse uma vida de perfeito serviço e entrega para nos dar o exemplo e nos mostrar que o nosso papel como Igreja Evangelizadora e Missionária é sermos acolhedores(as) e servidores(as). A missão e evangelização devem ser entendidas como serviço as outras pessoas, jamais como conquista e dominação, assim sendo, uma Igreja Missionária deve acolher o diferente / as diferenças com admiração e respeito, pois nele / nelas o Deus de Jesus se faz presente. E deve ir ao encontro das pessoas nos diversos níveis, lugares e circunstâncias, pois também hoje, Cristo revela-se na história e nos espaços concretos da vida humana.

A partir destes dois desafios (a compreensão dos muitos jeitos de Cristo expressos nas muitas faces daquelas pessoas que caminham conosco e a consciência de que somos parte do Corpo do próprio Cristo), e tendo como foco a missão e evangelização, quero chama-los(as) a engajarem-se no que hoje a Comunhão Anglicana denomina Discipulado Intencional. O discipulado é uma experiência ativa com o reino de Deus, um caminho de fé que revela a presença de Cristo entre nós. Os primeiros discípulos deixaram as redes, pai, mãe, os companheiros(as) de trabalho, casa, família, amigos e amigas, para acompanharem Jesus. As pessoas que se colocaram aos pés de Jesus foram por ele chamadas de família, experimentaram a comunhão física com o Filho encarnado e amado de Deus e se tornaram a extensão de seu próprio corpo, de seu agir no mundo. Mas isso exigiu um deslocamento, um movimento visível, que incluiu gestos, ações, ensinamentos e práticas em comunhão com Jesus.

O discipulado do qual nos fala a Comunhão Anglicana, é intencional – ou seja – é opção, escolha consciente, e acontece também através da comunhão estreita com Jesus Cristo. Não mais uma comunhão física, direta, mas experimentada pela fé e pela participação no corpo de Cristo (que é a Igreja). Uma comunhão que, assim como ocorria anteriormente à morte e ressurreição de Jesus, inclui gestos, práticas, ações, ensinamentos que se articulam através da vivência da Palavra, da prática da Diaconia, do testemunho público e de cidadania, da vivência comunitária, da formação e da graça vivida nos sacramentos. O corpo de Cristo é o lugar visível onde o chamado de Jesus ecoa e o discipulado expressa-se e toma forma de rede que salva vidas. Assim como no tempo de Jesus, o discipulado hoje exige um rompimento com a sociedade cheia de preconceitos, intolerâncias, discriminações e violências. Esse discipulado abre nossas vidas, amplia nossos horizontes, alarga nossa visão, transforma nosso coração – porque o próprio Cristo vem morar e ter comunhão conosco. No batismo, acontece o chamado de Jesus e, a partir dele, a comunhão com o Corpo de Cristo.

Queridos irmãos e irmãs, hoje, agora, neste Concílio, e a partir dele – como Igreja Diocesana – nós estamos sendo convocados e convocadas a assumirmos nosso discipulado intencional, sendo novamente chamados e chamadas a tomar parte na família de Cristo, a encontrar nosso lugar no Corpo de Cristo, desafiados e desafiadas a assumir de fato o compromisso de inclusão e acolhimento dos muitos jeitos e muitas faces que expressam a diversidade contida no próprio Cristo. Tudo isso nos desacomoda, por vezes até nos desagrada… Não é fácil assumir a Missão segundo os critérios de Cristo – e não segundo os nossos critérios. Mas o Espírito de Deus está sobre nós, e Ele é o nosso fôlego e a nossa coragem. Desde os primeiros tempos do cristianismo o Espírito de Deus capacitou a Igreja, mas mais do que isso – desacomodou a Igreja. E é por isso que ouvir a voz do Espírito não é fácil… e não está sendo hoje, mas desde o princípio aquelas pessoas que temiam foram encorajadas; aquelas que se escondiam foram descobertas (quiseram se mostrar); aquelas que não acreditavam foram convertidas, as que se sentiam intimidadas foram impulsionadas, as que não entendiam foram esclarecidas, e todas, sem exceção, foram transformadas.

Eu acredito na ação do Espírito Santo e sei que a partir dela tudo na vida da Igreja Primitiva mudou: as portas trancadas se abriram, as línguas caladas se soltaram, a Igreja amedrontada e escondida saiu para pregar em praça pública. Portanto sei que desde os primórdios do cristianismo a Igreja sempre foi e é marcada por transformação e compromisso – e estou segura de que estes dias de Concílio certamente mostrarão isso, porque Espírito Santo de Deus não restringiu a sua ação apenas aos tempos antigos, não estava somente sobre os nossos(as) antepassados(as), Ele hoje está sobre nós, está dentro de nós, Ele está conosco e é Ruáh, vento renovador, fogo transformador que impulsiona, encoraja e compromete.

Que esse novo tempo que estamos inaugurando nos anime a renovar a devoção em nossas Paróquias/Missões/Pontos Missionários, a renovar nosso compromisso com o Corpo de Cristo (que é a Igreja), renovar a vivência de nossa fé em comunidade, renovar nossa ação na sociedade, renovar nossas esperanças, de modo que nossa adoração e ministérios sejam expressão de um Discipulado Intencional e compromissado.

Como Diocese temos grandes desafios, mas onde há desafios há oportunidades. Nossas comunidades precisam ser verdadeiros centros da missão. Portanto, oremos e peçamos a Deus que transforme as vidas humanas por sua profunda e poderosa ação, começando pelas nossas. Que tenhamos a coragem de aceitar o chamado do discipulado, o chamado para ser Corpo de Cristo, para ser Igreja Missionária e desta forma sintamos fluir em nós e a través de nós a maravilhosa e poderosa vontade de Deus. Que assim seja!

Em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

+ Marinez Bassotto

Belém, 17 de agosto de 2018. AD.

Chimarrão e Açaí: Cuias que unem Norte e Sul no Concílio da DAA

qua, 22/08/2018 - 16:00

O XIII Concílio da Diocese Anglicana da Amazônia foi marcado por momentos ricos de convivência, partilha e decisões. Sendo conduzido pela primeira vez por nossa Bispa Marinez Bassotto, o Concílio favoreceu reflexões sobre a temática da Confelíder Nacional: Muitas faces, muitos jeitos, um só cristo. Ora, vocês são o corpo de Cristo e são membros dele cada qual a sua maneira (1 Coríntios 12.27), além, claro, dos encaminhamentos comuns dos Concílios: avaliações de relatórios, nomeações, eleições de cargos e funções, entre outros assuntos. Como decisão do último Sínodo de nossa Igreja em Brasília – DF, foi colocado sobre a mesa a discussão e votação sobre o casamento igualitário; alguns conciliares – clericais e laicos – se manifestaram e em seguida foi feita a votação, a maioria votou a favor, porém o número de abstenções foi alto e por isso a matéria ficou sobre a mesa para decisão no mês de abril de 2019 no Concílio Extraordinário que tratará sobre a adequação dos cânones diocesanos conforme os novos Cânones Gerais da IEAB.

Três pontos marcantes do Concílio: a presidência (pela primeira vez na história da IEAB) de uma Bispa, a assinatura de companheirismo entre a Diocese mais antiga com a mais nova da IEAB – Diocese Meridional e Diocese Anglicana da Amazônia – e a primeira Confirmação da Bispa Marinez a uma jovem da Diocese. Esses momentos marcantes nos convidam a continuar insistindo como uma Diocese Missionária, que nos desafia a ir ao encontro dos mais pobres da Amazônia e a testemunhar o Evangelho de Jesus Cristo nos pontos de missão da área urbana e rural, como bem enfatizou a Bispa em sua Carta Pastoral. A Diocese mais jovem da IEAB é a mais densa em território e com poucas comunidades; certamente a complexa realidade desafia o pastoreio da Bispa Marinez e de seu povo, porém “embora sendo poucos, somos muitos formando um só corpo em Cristo, cada qual à sua maneira” (cf 1 Coríntios 12,7).

No encerramento do XIII Concílio, na celebração, como marca de nossa cultura, o Bispo Humberto e a Bispa Marinez tomaram açaí na cuia decorada com grafismos marajoara como símbolo de ambos abraçarem o companheirismo e se comprometerem de fortalecer o anúncio do Evangelho de Jesus Cristo em terras distantes. As cuias de chimarrão e de açaí aproximaram ainda mais as regiões norte e sul e estão mais juntas do que nunca.


Revdo. Cláudio Corrêa de Miranda

Coordenador da Comissão Diocesana de Comunicação da DAA

Primaz da IEAB inicia Visita Pastoral no DMA

seg, 20/08/2018 - 11:34

O Primaz da IEAB, Revmo. Bispo Naudal Alves Gomes realizou uma série de atividades no Distrito Missionário Anglicano – DMA nesta última semana. Acompanhado de sua esposa, Sra. Carmen Regina Duarte Gomes, visitaram a Paróquia da Inclusão em Campo Grande/MS e também os Pontos de Missão, para uma ordenação diaconal, instituição de ministros leigos e cuidado pastoral com o povo, além de dialogar com lideranças religiosas de outras confissões.



Ordenação Diaconal do Ir. Victor Hugo, OASB – 19/08/2018 às 10h00


Instituição de Ministros Leigos e Confirmações – 18/08 às 18h00



Visita inter-religiosa – Umbanda – 18/08 na parte da tarde






Convite para as ordenações no Distrito Missionário Anglicano

sex, 17/08/2018 - 10:45

A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil – IEAB (19ª Província da Comunhão Anglicana) tem a alegria de convidar todas as pessoas queridas, para as ordenações que acontecerão ainda nesse mês no Distrito Missionário Anglicano, em ocasião da visita do Revmo. Bispo Primaz, Naudal Alves Gomes, às comunidades de Campo Grande (MS) e Ariquemes (RO).

No dia 19/8, Bispo Naudal conferirá a ordem diaconal ao Ir. Victor Hugo, OASB (Oblatos Anglicanos de São Bento) na Paróquia da Inclusão em Campo Grande/MS às 10h e no dia 25/8 conferirá a ordem presbiteral para a Revda. Maytee Diaz  às 19h na Paróquia da Santíssima Trindade em Ariquemes/RO.

Contamos com as orações de todas as pessoas!

Violências e Desigualdades: FEACT realiza seminário em Brasília

qui, 16/08/2018 - 15:30

Teve início, no dia 13 de agosto, no Instituto Bíblico de Brasília, a reunião anual do Fórum Ecumênico ACT Brasil (FEACT). O evento, que durou três dias, encerrando no dia 15, contou com a realização do seminário “A profecia ameaçada: o Brasil das violências em um contexto das desigualdades”. A Revda. Magda Guedes, Secretária Geral da IEAB esteve presente representando a nossa Província.

Dia 13 Na noite do primeiro dia de atividades, o pastor Altemir Labes, representante da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) compartilhou a avaliação da comemoração no Brasil dos 500 anos da Reforma Protestante. Em seguida, José Carlos Dionísio, do Centro Ecumênico de Formação e Educação Comunitária (PROFEC), apresentou os trabalhos desenvolvidos por sua organização na Baixada Fluminense, estado do Rio de Janeiro, na defesa e promoção de direitos de crianças e adolescentes. Dia 14 Na manhã do dia 14 de agosto, foi realizado o Seminário, refletido em dois painéis. No Painel 1 foram discutidos: a) os movimentos que justificam e legitimam as desigualdades e as violências, tendo como debatedor o professor doutor Rogério Diniz Junqueira, sociólogo do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), que apresentou o processo de elaboração do discurso teológico/religioso anti-genêro e das estratégias de divulgação das campanhas anti-gênero em diferentes países do mundo. b) A segunda abordagem, as teologias que justificam as desigualdades e as violências no século XXI, foi apresentada pela pastora Romi Bencke, secretária-geral do CONIC. Ela destacou que, se por um lado, o discurso sobre Deus tem ocupado diferentes espaços na sociedade, por outro, isso não significa que a teologia, enquanto instrumento hermenêutico para refletir as diferentes experiências de Deus, tenha tido a capacidade de incidir nas práticas eclesiais para fortalecer e reafirmar as virtudes da fé, como esperança, igualdade, comunhão.

No Painel 2 foi falado especificamente sobre o tema do Seminário: A profecia ameaçada… caminhos para fortalecer e afirmar os movimentos de superação das desigualdades e violências. Alessandra Farias Pereira, da Sociedade Maranhense de Direitos Humanos, apresentou dados da violência no Brasil, chamando a atenção para o agravamento da situação desde a ruptura democrática. Ela sustentou que tem ocorrido uma criminalização dos direitos humanos e aumentado a perseguição aos seus/suas defensores/as. O momento ainda foi oportuno para apresentar o documento “O Fim do Mito do Brasil Pacífico”, de responsabilidade do Processo de Ação e Diálogo (PAD), que ilustra alguns cenários de violência. Edmilson Schinelo, que também estava no Painel 2, apresentou a abordagem bíblica sobre o tema, chamando a atenção para a necessidade de também se olhar para as margens das leituras bíblicas e dos textos sagrados. “É nas margens que descobrimos histórias de pessoas e de sua experiência com Deus que não entraram nos cânones oficiais de nossas tradições. Olhar criticamente para o texto bíblico é um desafio permanente”, provocou. Por fim, Schinelo chamou a atenção de que as profecias são sempre coletivas. “É necessário cuidarmos para não cairmos no risco de querermos um messias para resolver nossos problemas e crises. As profecias são sempre coletivas e exigem organização e participação popular”, defendeu. Dia 15 A reunião do seguiu até o dia 15. Além das atividades acima já citadas, contou com apresentação do relatório anual, definição dos eixos temáticos prioritários de ação para o período de agosto de 2018 até agosto de 2019, entre outros.

Avaliação do CONIC: “Os encontros anuais de FEACT são um momento de afirmação do diálogo ecumênico. Eles nos fortalecem. É quando nos encontramos. Este, em especial, foi extremamente importante porque reafirmou o quanto precisamos estar mobilizados para lidar com a questão não apenas do aumento das desigualdades e das violências, mas também para enfrentar os discursos teológicos que legitimam o ódio. Para toda violência perpetrada contra alguém, há sempre uma retórica que tenta justificar aquele ato, aquela ação. Pior ainda é quando vemos esse processo de legitimação das violências começando a surgir no ambiente teológico e eclesiástico: em nome de Deus passa a ser possível fazer de tudo, inclusive oprimir, explorar e, em última análise, matar. Por isso, mais do que nunca, precisamos afirmar diariamente, e incansavelmente, que Deus é amor, é um gesto político”, declarou Romi. Texto original de autoria do CONIC com adaptações do SNIEAB

XXXIII Concílio da Diocese Anglicana do Recife se encerra com avanços na inclusividade e no desenvolvimento da Igreja

dom, 22/07/2018 - 12:10

De 12 a 15 de julho de 2018, delegados e delegadas das diversas comunidades, missões e paróquias da Diocese Anglicana do Recife se reuniram para decidir os rumos da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil na região nordeste do país. 41 pessoas, do laicato e do corpo clerical, reuniram-se no Centro de Vivência Cristã da Catedral Anglicana do Bom Samaritano, no bairro de Boa Viagem, em Recife. Foram compartilhadas experiências entre as comunidades, discutida a situação da diocese, os diversos jeitos de ser Igreja, e maneiras de desenvolver a Igreja em direção aos valores do Reino de Deus. Com 37 votos favoráveis e 3 abstenções, a Diocese Anglicana do Recife aprovou o matrimônio igualitário, permitindo que pessoas do mesmo sexo possam receber o Santo Matrimônio nesta porção reformada da Igreja Católica e Apostólica de Cristo.

O XXXIII Concílio da Diocese Anglicana do Recife foi aberto por uma Celebração Eucarística no dia 12 de julho, às 20h, quando ocorreu a Confirmação de membros da Catedral e também a instituição ao Ministério Leigo Pastoral do Seminarista Rafael Vilaça.

No dia 13 de julho, após abertura dos trabalhos conduzida pelo Bispo Diocesano, Dom João Câncio Peixoto, e após estudo bíblico ministrado pelo Rev. Adriano Portela, aconteceu a Feira das Comunidades, instrumento pelo qual as diversas comunidades, missões e paróquias diocesanas compartilham suas experiências e interagem umas com as outras. Também a Secretária de Juventude, Diana Linhares, apresentou seu relatório. À tarde, o Rev. Gustavo Gilson, Deão da Catedral, conduziu um estudo sobre os diversos jeitos de ser Igreja e foram ensaiadas propostas para as comunidades anglicanas, em diálogo com os participantes.

Na manhã do dia 14 de julho foram realizadas as mudanças nos Cânones Diocesanos e eleitas as composições das secretarias, da Comissão de Cânones (responsável pelos Cânones Diocesanos), da Junta de Capelães (responsável pela avaliação de postulantes e candidatos às Sagradas Ordens), do Tribunal Eclesiástico, da Comissão de Liturgia e Música, e do Conselho Diocesano. A principal mudança afetou o Cânon 19, permitindo o matrimônio igualitário, ou seja, tanto entre pessoas de gêneros diferentes quanto iguais.

À tarde as discussões foram em torno do tema da Formação Teológica, conduzidas pelo Rev. Eduardo Henrique. Em seguida, ocorreram as reuniões do planejamento diocesano, de maneira participativa e descentralizada, envolvendo todos os participantes. O planejamento girou em torno de quatro temas: 1) Missão, Diálogo e Transformação; 2) Vida Comunitária; 3) Educação e Formação Teológica; e 4) Diversidade. Ao final, dentre outros assuntos, a síntese do relatório de planejamento reafirmou a necessidade da construção de uma Igreja comprometida com as Cinco Marcas da Missão, em direção aos valores do Reino de Deus. Foi também comunicado o resultado da eleição da nova diretoria diocesana da UMEAB.

O Concílio se encerrou com uma Celebração Eucarística no domingo 15 de julho, às 10h. Nessa celebração foram nomeados Cônegos o Rev. Edson Pimentel e o Rev. Josafá Batista. O título de Cônego ou Cônega é dado àqueles clérigos e clérigas em reconhecimento à sua dedicação ao ministério.

O próximo concílio ocorrerá na cidade de Salvador, na Bahia, de 2 a 5 de julho de 2020.

AnglicanAfro

sex, 20/07/2018 - 12:01

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, pois serão satisfeitos (Mt 5: 6)

No XXXII Concílio Diocesano da Diocese Anglicana do Recife (DAR), realizado em 2017, fui convidado para uma conversa com Ronaldo Sales, Antônio Amaro Nascimento, Revda. Lilian Conceição e Alexsandro, sobre os negros e as negras na Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. Perguntava-se por qual razão não temos um discurso sistemático sobre a afrodescendência dentro da Igreja e planejava-se fazer algo para mudar essa realidade.
Transcorrido um ano desde então, infelizmente não fomos para a frente com os nossos propósitos; no entanto, a provocação permaneceu em meu coração. Estive no XXXII Sínodo da IEAB (2018), em Brasília, com essa provocação estalando na mente e cheguei a perguntar a alguns sobre o assunto em sua realidade eclesial.
Três fatos nos últimos tempos me provocaram sobre o assunto. Primeiramente, fui convidado por uma comunidade em Santo Amaro da Purificação, Recôncavo da Bahia, para celebrar mensalmente a Eucaristia, numa igreja construída por um babalorixá. Durante a escravatura, diga-se de passagem, Santo Amaro foi um dos principais pontos de desembarque de negros e negras escravizados na Bahia. Dito isso, pode-se intuir o tanto de elementos afrodescendentes na sociedade santamarense.
Outro fato que me provocou foram as palavras da Profa. Dra. Elizete da Silva (UEFS), denunciando a conivência da Igreja Anglicana no Brasil com o sistema escravagista, no séc. XIX, diferentemente das orientações emanadas da Igreja da Inglaterra. A Profa. Dra. Elizete defendeu a tese “Cidadãos de outra pátria: anglicanos e batistas na Bahia”, no doutorado em História Social na USP. Para ela, enquanto a Igreja da Inglaterra condenou a escravidão ainda no final da primeira metade do séc. XIX, a Igreja Anglicana no Brasil anuiu ao sistema, inclusive porque seus membros também eram “proprietários” de pessoas negras escravizadas. Elizete, contudo, também sinaliza posturas de condenação da Igreja Anglicana do Brasil ao sistema escravagista, como a atitude do Rev. C. Nicolay, capelão da Saint George Church, em Salvador, que resolveu não ministrar a Ceia do Senhor para os anglicanos donos de escravos, em consonância com a postura da Igreja da Inglaterra.
O terceiro fato foi um convite feito pelo Conselho de Psicologia / Seção Feira de Santana, para falar sobre negritude, racismo e religião. Obviamente, enquanto anglicano, posso ter o orgulho de dizer que não corroboramos o racismo, sobretudo o religioso, e apoiamos a construção de uma sociedade mais equânime em sua dimensão étnico-racial. No entanto, busquei planos de ação da IEAB, linhas de enfrentamento ao racismo, mas se existirem, não encontrei. Vale a pena dizer que sou um membro recente na IEAB.
Enquanto homem negro, nordestino, oriundo do Recôncavo baiano, outrora terra dos engenhos de cana-de-açúcar, sinto-me compelido a motivar a Província ao estabelecimento de um plano de enfrentamento ao racismo ad intra e ad extra Igreja. Aproveitemos o ensejo da Década Internacional das pessoas afrodescendentes (2015-2024), declarada pela ONU, e nos engajemos efetivamente em prol do reconhecimento, justiça e desenvolvimento das pessoas afrodescendentes na Igreja e no Brasil.

Rev.  Adriano Portela dos Santos