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Reflexão sobre a questão dos imigrantes em São Paulo

Agenda data: 

Seg, 15/04/2013

 

No dia 6 de abril de 2013 10 pessoas membros e amigos da Paróquia da
Santíssima Trindade se reuniram para refletir sobre o tema “Por que estamos em São Paulo?

O encontro teve início com a apresentação de cada persona,
compartilhando de onde havia vindo se já havia vivido em outro país, como se
sentia ou se sentiu como imigrante. A partilha nos mostrou como somos diversos
em histórias, ancestrais e lugares de nascimento e porque estamos hoje nesta
cidade.

Com a participação do Antonio, da Flávia e do pastor Nello, do Centro
de Apoio ao Imigrante (CAMI), que é parte das pastorais da Igreja Católica
fundado em 2005 para cuidar dos imigrantes de todas as nacionalidades via o atendimento
e apoio jurídico, partilha de cesta básica, acompanhamento nos casos de
problemas de saúde. O CAMI tem atuação na grande SP e está localizado no Pari. Os
temas prioritários: regularização migratória, saúde e combate ao trabalho escravo,
trabalho decente e cidadania. A proposta deste trabalho é não cair no
assistencialismo, mas sim empoderar os migrantes no sentido da cidadania, dos
direitos e deveres. Para mais detalhes, ver: http://www.cami-spm.com.br/

Também foi apresentado um relatório bastante exaustivo sobre a
situação dos imigrantes em São Paulo. A maioria do público é de bolivianos - o
maior fluxo migratório e vivendo em condições muito precárias – seguidos pelos paraguaios,
peruanos e chilenos. Há uma crescente presença de haitianos e, da África, a
maioria são angolanos e moçambicanos (pela língua), congoleses, nigerianos e
senegaleses. O segundo grupo de língua mais significativo é o francês, depois
do português. São católicos e evangélicos (latinos) e também há africanos muçulmanos.
 Anualmente em dezembro é organizada a
Marcha dos Migrantes para incidência em políticas públicas de Estado, por
exemplo, a demanda pela criação de uma Agência Nacional de Imigração, com pessoal
adequadamente preparado e com uma formação continuada, pois os imigrantes não são
caso de polícia. O CAMI também entende que é muito importante educar a
sociedade brasileira e os profissionais (médicos, enfermeiros, etc.) para
atender/entender/acolher os imigrantes, em uma dimensão intercultural e contra a
ideia de imigrantes como sinônimo de clandestinos e ilegais, pois “somos
humanos e podemos estar indocumentados”.

Após as ricas apresentações, houve uma dinâmica para reflexão grupal,
onde cada pessoa compartilhou sobre as ressonâncias deste tema para cada uma, o
que nos desperta e como podemos melhor acolher as pessoas que vem de fora.

No debate sobre qual pode ser o papel desta paróquia anglicana neste
pedaço especifico do centro da cidade, a discussão centrou em algumas idéias:

  •   Sensibilizar as pessoas da
    paróquia com relação à questão de evidenciar e enxergar a realidade da cidade
    em que nós moramos, com uma política de inclusão do migrante desde as escolas.
  •  Reforçar a necessidade de tirar o estigma negativo dos imigrantes,
    pois há uma conotação pejorativa da imprensa e setores da sociedade paulistana
    contra eles. E essa discriminação às vezes é ainda maior para os que provem de
    países mais pobres. “A imigração é uma coisa que acontece em todos os tempos e
    não é uma coisa ruim em si. A exploração dos imigrantes é o problema, pois leva
    à opressão e à desigualdade social”. Como há muitos casos de exploração em São
    Paulo, isso deve ser denunciado, sempre quando soubermos de casos deste tipo.
  • Poderíamos convidar os imigrantes de fala espanhola, pelo menos uma
    vez por mês quando o Reverendo Triana pregasse, para que eles se sintam
    incluídos. Há diferentes experiências com relação aos serviços religiosos nas
    línguas dos imigrantes. Também se poderia celebrar a caminhada dos diferentes
    países com festivais, música e comidas típicas.
  • Existe uma vulnerabilidade afetiva muito grande dos imigrantes, com
    implicações com relação ao tema da prevenção do HIV. A paróquia, com a
    experiência que possui, poderia ajudar.

No final do encontro, o Reverendo Arthur sintetizou o sentir do
grupo quando disse que “Há a necessidade
de marcar outro encontro igual a este, pois este diálogo não conclui por aqui,
é um incentivo para ter outros eventos futuros na paróquia para aprofundar a
realidade do centro de São Paulo”.

 

David
Morales e Mara Luz